Audiência Pública discute certificação agropecuária na Amazônia
Tendências mundiais apontam que consumidores não querem mais produtos produzidos às custas do meio ambiente

Considerando que o Brasil é o maior exportador de carne e também o 4º maior poluidor do mundo devido ao desmatamento a regularização das atividades agropecuárias tornam-se uma necessidade para que o País atenda as demandas ambientais e as metas do desenvolvimento sustentável.
Nesta quarta-feira (01/07) a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados recebeu o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes e a Ministra em exercício do Meio Ambiente, Izabella Mônica Vieira Teixeira para discutir juntamente com o Ministério Público do Pará, BNDES, ABNT, representantes do setor industrial e ambientalistas a necessidade de certificação agropecuária ambiental no bioma Amazônico.
Recentemente apresentado pela ONG Greenpeace, o relatório “A Farra do Boi na Amazônia” também foi amplamente debatido na ocasião. O documento denuncia ações de agendes da cadeia pecuária que têm provocado o desmatamento, o trabalho escravo e a invasão de terras indígenas.
Criticado pela maioria dos parlamentares, o documento causou uma exposição internacional do País, além das conseqüências no mercado interno, como foi o caso da decisão do Ministério Público do Pará recomendando aos supermercados e indústria que não comprem bois criados em áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia.
Segundo seus representantes, o Governo tem tecnologia e capacitação suficientes para fazer o rastreamento do gado. Em seis meses, deve estar concluído um sistema de monitoramento, via satélite de uma área de 150 mil quilômetros quadrados, abrangendo cerca de 15 mil propriedades de gado no Estado do Pará.
Para a Associação Preserve Amazônia o foco do debate deve concentrar-se em mecanismos de apoio à regularização das atividades agropecuárias, ofertando elementos técnicos, científicos e financeiros para que o licenciamento ambiental do setor produtivo rural aconteça para o bem do consumidor e do meio ambiente.
“O entendimento entre ambientalistas, ruralistas e governo é o único caminho para a busca de uma solução. A construção de uma agenda positiva visando implementar ações concretas para regularizar as deficiências constatadas tanto por parte do setor público como do setor privado deve ser priorizada”, considerou Ricardo Mesquita, Relações Institucionais da Associação Preserve Amazônia. |